Yamaha RD 350 marcou época graças ao motor tempos de comportamento superesportivo
Entre 1986 e 1994 nossas ruas e estradas eram tomadas pelo som agudo, quase ardido, da Yamaha RD 350 LC. Ao passar o modelo arrancava suspiros dos "aspirantes a piloto" com seu motor dois tempos, 347 cc com dois cilindros em linha. O modelo fez sua fama graças ao seu desempenho, o propulsor atingia nada menos que 55 cv a 9 mil giros, o bastante para aproximar-se dos 200 km/hora. Essa velocidade, a princípio, pode não empolgar, mas lembre-se de que falamos de 1986, cerca de 20 anos atrás.
Seu projeto era uma herança clara das pistas de competição, onde a marca Yamaha fez fama e colecionou títulos com a TZ 250.
Não era apenas a velocidade máxima a responsável pelo carisma da RD. Sua aceleração e seu comportamento nas curvas foram destaques. O motor, por exemplo, tinha reações "explosivas" em determinadas faixas de giro. Após 6 mil rpm, despejava toda a potência e o controle da moto a cargo do braço do piloto. Em menos de 6 segundos acelerava de 0 a 100 km/hora! Muita gente que passou por isso não dominou a RD, por isso ela recebeu o apelido "Viúva Negra" – uma referência à aranha que extermina seu companheiro.
Equipada com o sistema YPVS ou (Yamaha Power Valve System), em que uma central eletrônica comanda a abertura de válvulas na saída dos escapes, o mecanismo entra em ação quando o motor está em baixo giro. Nessa situação, as válvulas se fecham e propiciam melhor torque.
Para domar seus 167 quilos (a seco) a Yamaha exigia muito. A começar pela posição do guidão que tornava a pilotagem extremamente racing. Nos congestionamentos, por exemplo, os braços chegavam a cansar, porém na estrada a diversão era garantida.
Alimentado por dois carburadores Mikuni de 26 mm, a taxa de compressão da RD era de 5:1, bastante baixa, mas necessário para se adequar ao nosso combustível. O tanque, com capacidade para 18 litros, garantia a autonomia aproximada de 250 quilômetros. Isso porque o consumo a 120 km/h ficava na casa dos 15 km/litro.
Com tantas qualidades a RD poderia também ser chamada de manhosa, uma vez que exigia diversos cuidados do piloto. Descarbonizar o motor e escapamento era uma necessidade para não danificar os restos de queima de óleo 2T que era misturado à gasolina, por bomba automática.
Até a 1991 o modelo vinha equipado com pneus Pirelli Phantom em rodas de liga leve e aros de 18 polegadas. Depois disso, até 1994, quando saiu de linha, recebeu os Pirelli MT 75, que se mostraram mais adequados ao comportamento "arisco" da RD, principalmente nas pistas molhadas.
Até hoje, mais de dez anos depois de sair de linha, a Yamaha RD 350 ainda é um ícone entre os amantes da velocidade e da emoção. Se compararmos seu desempenho com as esportivas de quatro cilindros da época, a RD não faria feio não. Aliás, as RD 350 eram a "pedra no sapato" de quem tinha a Honda CBX 750 F, principalmente nas saídas de farol quando seu motor gritava em busca de emoção.